Archive for the ‘Críticas’ Category


Ótima crítica no *The New Yorker* falando sobre ‘Cosmópolis’

By in December 12, 2012, with 1 Comment

Polêmico, inteligente, intrigante e nada simples, Cosmópolis é um filme feito para se pensar…e muito. Se você ainda não entendeu a sua temática, esta crítica poderá elucidar um pouco algumas de suas dúvidas. Ela foi feita por David Denby datada do dia 27 de Agosto de 2012 no site do The New Yorker.  Se você ainda não o assistiu, ele agora faz parte das prateleiras das locadoras.  A pevisão de lançamento no varejo é para Abril de 2013. Veja Aqui

O diretor David Cronenberg entrou novamente em um automóvel. Em Crash,  as suas colisões de orgias de 1996 de um mórbido romance sexual adaptado por J.G. Ballard, Cronenberg encenou acontecimentos violentos e eróticos em um tipo de veículo, em uma espécie de teatro da imaginação. Ele agora adaptou o trabalho de um visionário apocalíptico ainda mais talentoso, Don DeLillo, cujo romance Cosmópolis (2003) forneceu-lhe um texto escrito soberbamente e ambientado basicamente em uma limusine. Cronenberg fez um filme excêntrico e belo, de aparência lânguida, inexpressivo, uma piada conceptualista. O herói é um desses jovens predadores capitalistas que tem sido assombrados pela ficção americana (em digamos, The Bonfire of the Vanities e American Psycho). Seu nome é Eric Michael Packer e ele é interpretado pelo hesitante, com largos maxilares, Robert Pattinson, o nobre e gentil vampiro da série Crepúsculo. Eric é um administrador  de ativos  de 28 anos de idade, cuja vida é ao mesmo tempo  protegida e totalmente vulnerável. Ele entra em sua limusine pela manhã em um terno Gucci e óculos escuros, e anuncia sua intenção de atravessar Manhattan para um corte de cabelo. Mas seu avanço através da cidade é impedido pelo  rosnado do tráfego com o aparecimento do Presidente.

Em Crash, a velocidade e imprudência ao volante foi o que manteve o filme em movimento, mas neste, o tempo de vida dentro de um carro se moveu lentamente, literalmente. Várias pessoas visitam Eric, incluindo dois gênios Twerps(1) apenas mal barbeados, que fixam os olhos em dispositivos portáteis e dão conselhos sobre investimentos; uma antiga amante (Juliette Binoche), que tem relações sexuais com ele entre os bancos pretos de couro, oferecendo-se para encontrar um Rothko para sua coleção (Eric quer a Capela inteira de Rothko), e um médico que  faz o seu exame diário de próstata. Fora da limusine, uma cidade indecente e elétrica passa lentamente, como se estivesse em um diorama(2) em movimento. Eventualmente, o carro é engolido por um grupo de Read the rest of this entry »



Rachel Weisz se junta a Robert Pattinson e Viggo Mortensen em ‘Maps to the Stars’

By in November 12, 2012, with No Comments

A certeza que Robert Pattinson faria um novo projeto com Cronenberg já era conhecida desde a Premiere de Cosmópolis em Cannes. E o britânico tímido, e ainda inseguro, divide as telas, mais uma vez, com grandes nomes como Mortensen  e agora, Weisz.  Não sabemos ao certo o gênero que este filme será enquadrado, aliás não sabemos quase nada sobre o que rola por trás desta produção, mas só por ser de Cronenberg podemos aguardar muitas surpresas.

TheFilmStage

Respire aliviado por David Cronenberg  estar montando seu próximo filme. Como foi informado quando Cosmópolis teve sua premiere mundial, o artista cinematográfico mais conhecido do Canadá está fazendo outro projeto com Robert Pattinson,  o astro deste filme,  e seu mais novo colaborador preferido, Viggo Mortensen, em uma sátira Hollywoodiana chamada Maps to the Stars. Já é bom, certo? Bem, não há mais o que acrescentar.

O site francês Allocine, informou que Rachel Weisz  é agora o  terceiro membro do elenco – a quem, no entanto, não foi lhe foi dito – enquanto a produção está para ser iniciada em Maio próximo. Descrito por ele mesmo, Cronenberg, como “muito ácido e irônico”, Maps to the Stars, pelo que entendemos, é um filme roteirizado por Bruce Wagner,que gira em torno de atores e agentes, com um foco específico em “dois atores mirins arruinados pela depravação de Hollywood.” E não importa se o que temos ouvido é mesmo verdade,  este conteúdo central, tornou-se  difícil  para se realizar o projeto – a movimentação, na verdade, começou no início de 2006, por exemplo: quando você coloca (na falta de um termo melhor) estrelas alinhadas, elas podem cair juntas. O respeitado produtor Saïd Ben Saïd também não se incomoda. Read the rest of this entry »



Ótima e Positiva Crítica sobre o Filme ‘Cosmópolis’

By in September 15, 2012, with 2 Comments

Se você viu Cosmópolis e ainda não entendeu a temática complicada do filme, aqui vai uma critica interesssante dele, escrita por Evan McCoyed.  Ele destacou algumas cenas e divide com a gente, seu ponto de vista sobre elas.  Confira seu  blog com a crítica  de  muitos outros filmes, acesse  Aqui.

Um Filme no qual Robert Pattinson conversa com um empregado enquando faz um exame retal

Cosmópolis não é na verdade, um retorno ao estilo Cronenberg. E não sinto muito em dizer isto, embora ele represente uma evolução no estilo, temas e abordagens que ele cultivou através de filmes como Videodrome ( Videodrome – A Síndrome do Vídeo) e eXistenZ. Este, talvez mais até do que os outros, está preocupado com a incerteza da nossa civilização. É um filme enriquecedor e não está preocupado se você irá entendê-lo ou não. A maioria das pessoas não entenderão e não vão se esforçar pra isso. Eles serão lançados em meio a uma discussão, técnica (mas poética) na maior parte do tempo. Críticos demagogos vão dizer coisas do tipo: “E a história? Cadê?” ou “É só filosofia 101”. Eles irão ignorar ou rejeitar Cosmópolis, como quase todo mundo.  Este filme  praticamente não foi feito para  pessoas que tem a pretensão de vomitarem palavras, como se elas soubessem seu significado.

Além disso, é algo que mais se aproxima de uma perfeita adaptação de William Gibson(1)  que eu já tenha visto.  E se você gosta de Gibson e Cronenberg, então Cosmópolis vai Fu*er sua cabeça e girá-la como um peão.

Não sou um crítico demagogo.  Não dependo de um pobre e cansado ‘Lexicon’ (dicionário americano), frases clichês para descrever filmes. Eu geralmente fico longe de coisas do tipo “passeios com emoções fortes, adrenalina, montanha russa ou “atuação entediante”. Eu quero dizer à você, porque alguma coisa é excitante ou entediante. Estou interessado em entender como eles fazem os filmes e explicar isso aos outros de uma maneira que não seja óbvia. Em outras palavras, quero expor pensamentos claros, pensamentos que não dependam do que eu conheço ou de minhas preferências ou da história para entender. Cosmópolis é o tipo de filme feito para pensadores críticos que sabem como prestar atenção. Há uma escola de filosofia que diz: “Se é muito complicado de entender, a culpa é do autor(s).” Este é o tipo de trabalho criativo de  virar esta merda estúpida na cabeça. De qualquer forma, debater o filme, suas impressões, não é complicado, são as idéias que o são e se você achar as idéias complicadas, tudo que eu posso dizer é, leia mais. Funcionou pra mim. Read the rest of this entry »



Você já assistiu ‘Cosmópolis’ ? Então nos diga o que achou?

By in September 8, 2012, with 2 Comments

E então galera!  Vocês já foram ver Cosmópolis? Lembra que eu fui ver a cabine do filme e dividi com vocês minhas impressões? Elas estão bem  Aqui. Agora é a sua vez de dizer pra gente o que achou de tudo! Vamos discutir, falar sobre as cenas. Você leu o livro? Achou que faltou alguma coisa? Entendeu tudo? Queremos muito saber! É sua chance! Estamos te esperando! E outra coisa. Está rolando promo no Face do Site, se você assistiu e quer levar prêmios acesse Aqui e saiba como participar!

 Equipe Portal Robert Pattinson



Crítica da Equipe – ‘Bel Ami – O Sedutor’

By in August 14, 2012, with 11 Comments

Hoje completa mais de uma semana que Bel Ami estreou nas telas de muitos cinemas do Brasil e nós do Portal Robert Pattinson gostaríamos de saber, qual foi sua impressão sobre o filme.  Compartilhe com a gente! Se você leu o livro, terá muito mais coisas pra dividir aqui não é mesmo? Este é o momento e sabemos também, não é nenhuma novidade, que o filme vazou na internet, o que foi realmente uma pena. Mas então! Você foi ao cinema assim mesmo? Pra você se animar, aqui vai a crítica da Vanna que foi ver na estréia, dia 03 de agosto.

Não resta a menor dúvida que Robert Pattinson é uma figura deslumbrante nas telas de cinema.

Seu personagem perverso e obsessivo deve ter espantado um pouco alguns fãs que adoram vê-lo na pele de Edward Cullen, um vampiro deliciosamente sexy, terno e absurdamente controlado.

Mas o que dizer de ‘Bel Ami – O Sedutor’  quando ele comemora pouco mais de uma semana de exibição em algumas salas de cinema de todo o Brasil?

O filme tem uma fotografia diferente.  Parece que usaram lentes diferentes?  Não sei dizer ao certo. Mas o filme de época ficou com um aspecto um pouco antigo, embassado,  quase que uma representação teatral do que propriamente um filme.

O roteiro é bom, mas deixou a desejar quando aproveitou mal  os atributos indesejáveis de Georges e exagerou em certas cenas.

Georges Duroy do escritor Maupassant não tem escrúpulos, não se dá o direito de chorar nem de se envergonhar.  Ele tem ódio de sua condição e não vai medir esforços pra conseguir seu objetivo.  É um ser cruel e considera-se inatingível. Usa o poder da sedução, o dinheiro e favores vindo de suas mulheres. Tudo isso o torna cada vez mais poderoso na sociedade parisiense.  Ele não é uma pessoa culta, mas quem precisa de grandes textos e leituras quando se tem algo muito mais sedutor para se oferecer? Afinal…quem vai perder tempo lendo, sobre uma cama com um delicioso e belo exemplar de macho?

As três mulheres de Duroy:   Madeleine Forestier (Uma Thurma) uma mulher que não admite ser privada de sua liberdade, é sua voz no jornal “La Vie Francaise” e perante a sociedade é também, sua esposa. Virginie Rousset (Kristin Scott Thomaz) esposa do dono do jornal onde ele trabalha e responsável por persuadir o marido a ajudar Duroy e  Clotilde de Marelle (Christina Ricci) é a que mais se aproxima de alguma coisa que se possa chamar de amor. Jovem como Duroy, e uma das primeiras a se aproximar dele, cede sempre aos seus encantos, mesmo sabendo que ele não vai sossegar em suas conquistas.

Infelizmente o personagem não foi explorado como deveria. As características importantes se perderam ou praticamente não existiram. Não vi na tela toda aquela figura descrita por Maupassant. Por vezes  ele pareceu mais  um garoto perdido precisando de ajuda.  Sabemos que toda adaptação de roteiro é uma surpresa, mas neste caso, não conseguiram passar realmente a imagem correta de Bel Ami.

Declan Donnellan e Nick Ormerod são mais conhecidos por dirigirem peças teatrais, talvez seja este a impressão que o filme causa. Uma sensação de seguidas e rápidas cenas teatrais. Mesmo assim se aventuraram a fazer uma produção cinematográfica e de baixo custo.  Mas isto não seria o motivo para fugiram tanto da essência do personagem principal.

O figurino é lindo, o elenco  interessante e Rob está perfeito nas cenas sensuais, nos momentos de fúria.  Rob ainda caminha um pouco tímido, mas poderia ter sido melhor explorado pelos seus produtores.  Ele tem condições para tanto.



Cabine de ‘Cosmópolis’ – Crítica da Equipe

By in August 10, 2012, with 11 Comments

Vanna que é  Co-Web e Coordenadora de Mídia aqui do Site, esteve na Cabine do Filme Cosmópolis da nossa parceira Imagem Filmes e conta aqui, qual foi sua impressão sobre o filme, a atuação de Rob e muito mais.

 

Oi  galera! Sou a Vanna. Tudo bem?

Sexta, dia 10 de Agosto, fui  à Cabine de Cosmópolis.  Como todos sabem, o filme será lançado aqui no Brasil dia 07 de Setembro pela nossa parceira, Imagem Filmes.

É um filme muito aguardado por todas nós fãs de Pattinson e eu acabei tento a sorte de vê-lo antes de sua estréia.

Em linhas gerais o filme é muito complicado, como eu já esperava. Quem leu o livro sabe do que estou falando.  Não sei como eles conseguiram colocar tantas coisas do livro dentro das telas…mas como nós  expectadores quase nunca estamos contentes com as adaptações, você com certeza vai sentir falta de uma passagem ou outra de sua leitura e talvez algumas coisas não lhe agradem e outras vão lhe agradar muito além do esperado.  Isso é muito subjetivo não é mesmo?  Mas vou tentar passar aqui o que eu senti de tudo.

Já de cara, adorei a abertura. Bem legal. Diferente. A qualidade e a cor das imagens, incrível!  Faz tudo ficar mais lindo do que já é. Aquela  limousine é f**a!  E com Robert dentro…já viu né.

 As cenas acontecem muito, muito rapidamente e lógico…não seria Cronenberg se ele não fizesse você ficar chocado ou assustado duas ou três vezes. E os diálogos? Rápidos e muito complicados que com certeza vão deixar muita gente queimando sua massa encefálica com apenas três palavras…WTF??

Bem…agora minha impressão sobre… sim…Robert! #Suspiros…Foi uma das melhores interpretações que eu já vi dele.  Outra coisa que eu gostaria de colocar aqui. Ouvi críticas ruins nesta cabine. Algumas pessoas  criticam demais sua atuação. Rob ainda é muito tímido e ele, segundo o que li numa entrevista, não entendia o que Cronenberg tinha visto nele para o achar  tão bom para interpretar Eric. Se este diretor o escalou, ele com certeza viu algo que ninguém ainda conseguiu ver. Tenho certeza que Rob vai melhorar muito. Ele está bem diferente neste filme. Vocês vão notar isso.

Rob pegou a essência de Eric. Eric está em conflito e é uma pessoa procurando respostas  muito íntimas. E de uma maneira nada compreensível não está se importando em perder toda sua fortuna. Na verdade não está se importando em perder a própria vida. Quer novas sensações, qualquer que sejam elas: dor, angústia, prazer, remorso, tristeza, perdas, enfim…tudo de uma só vez e tudo muito intensamente.

As cenas de sexo, nem preciso dizer não é mesmo? Trailers com pequenos trechos foram divulgados na internet e vendo estes trailers estendidos…uau!  Ele realmente está incrível!  A cena da “garrafa de água”. Alguém leu o livro?  O exame de próstata? “Minha próstata é assimétrica” (Eric). Bem…foi… boa…mas não tanto quanto a do livro, na minha opinião. Foi o que já mencionei.  Nem tudo sai como esperamos ou imaginamos.

Todos os atores estão muito bem, o elenco é interessante  e destacando  Paul  Giamatti, gente! Ele está incrível!  Bem…o adoro.  Bem. Não vou contar nada que venha a comprometer a sessão de Cosmópolis de vocês ok?  É aguardar dia 07  e depois compartilhar com a gente o que acharam ok?

Quero concluir dizendo que vale muito a pena ver Cosmópolis. Eu recomendo demais! E Não vá esperando sair do cinema entendendo tudo. Você vai sair  “Entendendo Nada” , mas pelo menos,  você ficará com a visão de Robert  que com certeza agradará seus fãs, causando efeitos…e que efeitos!  E isso é muito bom.

Beijos gente! :)

Vanna



CinePOP: Site nacional publica crítica muito positiva de ‘Bel Ami – O Sedutor’

By in August 3, 2012, with No Comments

Como todos sabemos, Bel Ami estréia hoje nos cinemas nacionais, depois de muitas mudanças de datas e espera dos fãs. Pelo menos, de acordo com a crítica do CinePOP a espera vai valer muito a pena. Confiram alguns trechos:

Não é suficiente só ser amado? Em “Bel Ami” somos jogados em uma história de sedução e desejos maduros muito bem executados pelos atores. Em seu recheio, ótimas atuações, uma trilha impecável e uma grata surpresa. O novo trabalho dos diretores Declan Donnellan e Nick Ormerod é cheio de características peculiares, tinha tudo para dar errado mas a dupla acaba acertando em cheio, neste simpático longa.

[...]

Robert Pattinson mostra um bom entendimento do complicado personagem. Não podemos negar que é um dos melhores (senão o melhor) trabalhos desse criticado ator. Esperamos com mais esperança “Cosmópolis” do Cronemberg, veremos. Mas voltando ao filme, em uma cidade onde as mulheres tem forte influência sobre as decisões de seus maridos, a ascensão em um tabloide dá à Georges Duroy (Pattinson) o status que buscava. Em meio à todas as mulheres que o cercam, começa a ficar perdido em relação as decisões que precisa tomar para alimentar seu lado gigolô-vingativo e ganancioso, que possui uma tremenda vulnerabilidade quando sob ataque. Duroy apronta de tudo e pede desculpas (para uma dama em específico). Parece contraditório, não é? Porém, se encaixa bem na trama.

[...]

Com uma trilha indutiva, que leva o público para dentro da história, “Bel Ami” marca a estreia de Robert Pattinson às críticas positivas. Creiam cinéfilos, é verdade!

*Confira a crítica completa AQUI.

Não deixe de prestigiar este novo trabalho de Robert no cinema de sua cidade [Confira a lista completa de cinemas que exibirão o filme AQUI]!

Se sua cidade não estiver na lista, mostre para o mundo inteiro (e para os donos dos cinemas)  que você quer ver Bel Ami na telona tuitando:

@UCICinemas @CaliforniaFilme @Kinoplex @arcoiriscinema #QueroBelAmiNaMinhaCidade

Depois venha nos contar o que achou, combinado? :)



Crítica: O Globo ” ‘Cosmópolis’ veio a Cannes para se candidatar à eternidade”

By in May 25, 2012, with 1 Comment

O crítico Rodrigo Fonseca do jornal O Globo lançou seu olhar cinéfilo sobre Cosmópolis e fez suas previsões quanto ao destino do filme.

No ano em que a Croisette passou dia após dia falando de crise econômica e do colapso financeiro de nações vizinhas à França, Cosmópolis bateu na tela do Palácio dos Festivais como um antibiótico composto de lucidez. Bastante aplaudido, mas também muito repudiado, o novo longa-metragem do canadense David Cronenberg repetiu o que aconteceu com todos os grandes filmes desta edição: rachou opiniões.

Mas não há dúvida de que o realizador de A mosca está no apogeu de sua forma, goste-se ou não dos riscos que ele corre. E aqui ele incorreu numa ousadia com a qual o cinema não lida bem: fazer da palavra sua força motriz. Construindo sequências de looooongos falatórios, sempre reflexivos sobre a decadência de um sistema econômico no qual o capitalismo é ao mesmo tempo vírus e vacina, ruim no sustentáculo.

A partir do romance homônimo de Dom Delillo, Cronenberg constrói seu olhar sobre uma Nova York pós-11 de Setembro do interior de uma limusine branca. O carro vira uma espécie de realidade paralela com direito a aparelhos médicos, sistema de telecomunicação, frigobar, divã e cama, onde um bilionário de 28 anos comanda seu império. O ricaço em questão é vivido por Robert Pattinson, o vampiro da série A saga Crespúsculo, que aqui demonstra sua maturidade como ator.

Usando frases inteiras do livro de Delillo, Cosmópolis traz a assinatura pessoal de Cronenberg em sua obsessão por entender o corpo humano como o centro de toda e qualquer dramaturgia sobre o mundo contemporâneo.

A sequência em que o personagem de Pattinson se submete a um exame de próstata feito em sua limusine em movimento, enquanto exalta os encantos sexuais de uma mulher é antológica. E a participação de Juliette Binoche oferecendo o melhor de sua derrière para Patinson vai ficar na memória dos cinéfilos para além de Cannes.

Indigesto demais para palmas e prêmios leves, Cosmópolis veio a Cannes para se candidatar à eternidade. Cronenberg sairá daqui com a certeza de ter esquadrinhado a doença econômica do continente que o produziu a partir do português Paulo Branco, representante da nação lusa, uma das que mais perderam com a crise.

Sinal dos tempos, sinal de alerta, sinal de mestre.

Obrigada a @LoversSpunk por indicar a matéria!



Vídeo: Crítica de Clemenceau sobre ‘Cosmópolis’

By in May 24, 2012, with 4 Comments

Clemenceau elogia a performance de Robert em Cosmópolis e recomenda fortemente o filme!

Inicia a partir de 2:27.

TRANSCRIÇÃO

O último filme que vi esta semana foi Cosmópolis de David Cronenberg.

A história: Trata-se de um dia na vida de Eric Packer, o garoto de ouro que precisa cortar o cabelo, quando as coisas saem do controle.

Eu amei! Tiro o chapéu para a performance de Robert Pattinson, que está muito bem. E eu não era grande fã dele antes.

O filme tem tudo que gostamos: dinheiro, sexo, morte, desejo, poder, guerra e queijo de cabra.

O filme é quente e os diálogos são completamente loucos. Os diálogos são do romance de Don DeLillo, visto que o filme é uma adaptação do livro.

Uma última coisa, a atuação de Mathieu Amalric (sou grande fã) e Juliette Binoche que estão simplesmente incríveis no filme.

Dei 4 dos 5 pontos. É realmente um ótimo filme que eu calorosamente recomendo.

Via



Primeira Review de ‘Cosmópolis’ da Revista Francesa ‘Premiere’

By in May 9, 2012, with No Comments

A revista Premiere que divulgou uma entrevista com o Rob (que você pode ler AQUI) também disponibilizou a sua review de Cosmópolis! O filme recebeu 3/4 estrelas pelo crítico francês Mathieu Carratier.

New York está em pé de guerra. O presidente dos Estados Unidos esta cruzando a cidade e o resultado são demonstrações que levam Manhattan ao caos. Eric Packer, um milionário de 28 anos, não se preocupa. Não importa o que aconteça ele irá cortar o seu cabelo do outro lado da cidade.

Não vamos mentir, por mais que tenhamos gostado dos filmes mais recentes de David Croenenberg, nós realmente estavamos sentindo falta do diretor de Videodrome e Crash. Abram as champagnes, pois ele está de volta em todas as cenas de Cosmópolis. Por mais que ele esteja adaptando o trabalho de outra pessoa, o diretor Canadense é reconhecido no livro de DeLillo. O absurdo e a persistente odisséria de um jovem lobo financeiro que se encontra com colegas, amantes e médicos em uma limousine high tech. Quando ele chega ao seu destino final, ele estar sem nada (a moeda Japonesa ameaça o seu trabalho, sua esposa esta cada vez mais distante em um ponto inalcançável) mas a resposta para a pergunta que o atormenta, sem nem ao menos ter sido articulada: Poderia alguém possuir tudo e ainda desejar algo mais?

Cronenberg faz com que todas as obsessões do personagem sejam pontuadas em sua rota, sejam elas intelectuais (a procura por uma outra realidade) ou carnal/fisica (uma outra cena que fará as pessoas comentaram bastante: Packer aprende que a sua próstata é assimética). Sentado no trono de sua limousine, Robert Pattinson revela uma profundidade que fica cada vez mais e mais fascinante enquanto o seu personagem vai chegando frente à frente com um abismo. O medo que transparece em seu rosto nos últimos momentos não pertence apenas ao anti-herói que chegou a um ponto sem saída, mas também ao ator que testa os seus limites com uma bravura até então desconhecida. Com um passeio febril e decadente em direção ao inferno, Cosmópolis prova que ele ainda não terminou de testá-los.

Via