Cosmópolis

Personagem: Eric Packer
Diretor: David Cronenberg
Roteirista: David Cronenberg  baseado na obra de Don DeLillo
Produção: USA
Lançamento nos USA:
Lançamento no Brasil: Estréia prevista para 13 de Julho de 2012
Custo de Produção: US$21 milhões
Bilheteria Mundial:

Resumo

Erick Packer um rapaz multimilionário de vinte e oito anos, certo dia, levanta-se de manhã cedo e resolve cortar o cabelo. Só que tem que ser onde seu pai o levava quando criança e para chegar neste local, deverá atravessar toda Manhattan. O que ele não contava é que muitas coisas estão acontecendo naquele dia e no caminho ele vai se deparar com várias surpresas e pessoas pouco comuns que transformarão essa simples tarefa em uma alucinante jornada.

Crítica da equipe: Vivika

Cosmópolis é um livro do escritor americano Don DeLillo, que foi consagrado pela crítica devido aos seus retratos da sociedade americana dos séculos 20 e 21. Suas obras retomaram o sucesso logo após os atentados 11 de Setembro – quando a confiança americana caiu a níveis assombrosos e a intervenção da literatura de DeLillo foi necessária para mostrar o nível de paranóia dos moradores da Terra do Tio Sam. Por mais estranho que possa parecer, Cosmópolis é considerado um dos ‘piores trabalhos’ de DeLillo, daí que vem a tão comentada possibilidade de que o filme alavanque uma retomada nas vendas da obra.

O livro narra um dia na vida de Eric Packer, um jovem multibilionário do mundo das finanças de vinte e poucos anos, que sai em busca de um corte de cabelo no enlouquecido centro de Manhattan. Durante sua trajetória no banco traseiro de sua limousine ele enfrentará um assassino, uma visita presidencial, o cortejo fúnebre de um astro do rap, motins, um protesto antiglobalização, perdas monstruosas de dinheiro, vários casos extra conjugais e tantas outras situações surreais que você nunca imaginaria que poderiam acontecer em uma mera viagem entre dez quarteirões para realizar um simples corte de cabelo.

Eric é frio, calculista, cheio de si e incompreensível. Usa da filosofia como base de resolução para os problemas que enfrenta dentro de sua pequena bolha financeira. Eric vive conectado diariamente, 24 horas por dia em um mundo no qual os números ditam as regras e as exigências. Sua maior preocupação é quanto ao iene – a moeda japonesa contra a qual Eric apostou todas as suas fichas na Bolsa de Ações. Porém, essa aposta poderá lhe custar toda a sua fortuna, e não só dele mas também a de sua recém esposa, Elise Shifrin – poetisa e herdeira da maior família de banqueiros da Europa.

O relacionamento de Eric e Elise chega a ser considerado estranho. Apesar de ser cheio de si, considerando-se o rei da verdade, Eric é dependente de Elise. Mas mesmo isso não o impede de traí-la por vezes durante o livro e de dizer que “a poesia dela era uma merda.”

Na busca por seu corte de cabelo – que segundo a sua exigência terá de ser feito no mesmo barbeiro freqüentado por seu falecido pai – ele enfrentará as mais diferentes e irreais situações (incluindo um surreal exame de próstata dentro da limousine) além de ver ao vivo, e monitorado pelas milhares de câmeras conectadas aos monitores do banco de trás do veículo, o colapso de sua fortuna.

Num geral, o livro é um verdadeiro clássico – daqueles que nos próximos anos será lembrado como o livro de decretou a ‘faceta do século 21’. A ambição capitalista pela qual Eric é descrito chega a assustar. Ele perde e não contente com isso perde ainda mais. E não estamos falando apenas de dinheiro. Eric perde a fé e descobre que seus valores e necessidades são vazios, suas ambições se mostram sem fundamento e sua vida perde o sentido.

Uma coisa que é importante ressaltar em Cosmópolis é o ritmo do livro. Os personagens entram e saem da história com uma rapidez absurda – e todos eles têm algum tipo de vinculo com Eric, vinculo esse que se modifica no decorrer da trajetória, seja ele para o lado bom ou para o ruim. Cosmópolis é uma fábula. Sobre perdas, ganhos, hipocrisia, sinceridade, ganância. Eric é um daqueles personagens que já sentiram tudo na vida. E é exatamente por isso que ele se entrega a sua fácil situação: multibilionário, casado com uma mulher que ele acredita não amar (mas que é herdeira do maior banqueiro da Europa), dirigindo a sua vida e a de milhares de pessoas de dentro de sua limousine – acoplada com monitores que de minuto em minuto lhe mostra as cotações do mercado financeiro, as noticias, as mortes – e acreditando piamente que sua palavra é a chave para a resolução dos problemas do universo. Para Eric esse tipo de sensação é cômoda, já que ele não acredita que um dia tudo isso possa acabar. E é nesse momento que o castelo de areia de Eric começa a desabar.

Mas existe algo que eu preciso deixar bem claro, este não é um livro para todos os fãs do Rob, principalmente para aqueles que ainda vêem no Rob a personificação do Edward eterno. Eric não é adorável. Longe disso! Ele é sujo e mau caráter. Ganha em cima dos erros alheios e tem uma visão de mundo totalmente deturpada (isso dependendo do ponto de vista de cada um!). Nada para ele é simples. Um mero ato desperta nele os mais diferentes questionamentos, como quando questiona qual é “o lugar onde as limousines passam a noite” e mantem um argumento vivo sobre o fato, como se estivesse pedindo informação de endereço para um estranho. Mas mesmo com todos esses problemas, Eric consegue surpreender e cativa o leitor. Quando menos se imagina você esta torcendo para que ele consiga retornar a superfície.

O final de Cosmópolis é moldado durante toda a narrativa. A primeira vista o final é, como diríamos, chocante. Inesperado. Algo gratuito. Mas logo depois de fechar o livro você terá a impressão de que já sabia que isso aconteceria daquela exata forma. Um gancho aqui, uma frase ali, uma situação acolá e você vai juntando os pedacinhos do quebra cabeça. Um final muito bem construído em uma trama bipolar.

Uma dica para quem vai começar a leitura agora: leia com muita calma! Cosmópolis não é um livro para ser lido em um dia ou dois. É um livro para ser digerido aos poucos, analisando as fantásticas situações em que Eric se encontra como metáforas para as divergências do dia-a-dia e aproveitando cada nova tirada de Eric Packer ao seu máximo (que apesar de ser um cafajeste tem de longe as melhores tiradas que eu já li em um livro nos últimos meses como ‘Minha próstata é assimétrica.’ ou ‘O sexo descobre a gente. O sexo vê além das aparências.’ e tantas outras que é melhor nem colocarmos por aqui).

Tenho certeza de que vão gostar desse livro, que mostra mais uma vez o amadurecimento do Rob em suas escolhas. Eric Packer é um papel desafiador e sabemos que ele estará magnífico nessa viagem a bordo da limousine em direção a Manhattan.